quinta-feira, junho 24

ao meu amigo T.

Lembro-me de ti como se fosse hoje. De todos os pormenores. De todos os risos. Eras o meu amor-ódio. Conseguias ser o melhor amigo que uma pessoa poderia querer, mas apenas quando tu o querias. Deixavas que os teus interesses fossem além das tuas amizades. Nunca soube ao certo quando foste ou não sincero e lamento por isso. Adorava os teus abraços e as tuas palavras sempre tão especiais.. Sinto que quando te juntaste com ela, eu perdi dois amigos, os meus dois melhores amigos. Hoje sei que estão comigo, do meu lado.. Mas não sei até que ponto te tenho perto de mim. Custa-me tanto este afastamento.. Depender dela para saber de ti, para estar contigo, para te ver. Não poder abraçar-te espontâneamente por mais de 5 segundos. Nem te poder dar aqueles beijinhos de amigo, tão bons que eram.
Sei que temos um passado, tivemos uma história complicada, mas até certo ponto engraçada. Novamente te digo: que somos o amor-ódio um do outro. Hoje sei que podia estar eu do teu lado, mas não sei se aguentaríamos a pressão de duas pessoas tão parecidas, tão iguais e tão diferentes. E ambos sabemos que é ela que tu amas, e que eu o amo a ele, e somos assim felizes, à nossa maneira.
Se calhar pensas que te esqueci, que nunca gostei de ti a sério, tal como eu penso o mesmo de ti, e acredito que me esqueceste para sempre. Mas a verdade é que apesar de te ter apagado da minha mente, sempre com a certeza de que o que havia entre nós nunca poderia resultar, estarás sempre presente no meu coração. Eu sei que tu quando amas, amas a sério, dás tudo de ti, transcendes-te. Mas comigo isso sempre foi efémero, limitado, com prazo de validade. Hoje não me arrependo de nada em relação a ti nem às opções que tomei, sei que a pessoa que te tornaste hoje foi graças a ela, mudaste por ela e és outra pessoa por ela. Comigo tu eras outro, eras pior pessoa, pior namorado, mas sempre melhor amigo. Sei que assim foi melhor para os dois, ela fez por ti o que eu não sei se conseguiria fazer. Ela aceitou-te com todos os teus defeitos, e aprendeu a amar-te. E eu fico muito feliz por isso. Só lamento que a nossa amizade se tenha diluído no meio, tenha esmorecido e a tua dedicação a ela te tenha feito esquecer que tinhas amigos, e me faça duvidar da sinceridade da tua amizade de vez em quando.
Mas como diz o ditado: "águas passadas não movem moinhos" e não podemos levar a nossa vida baseada no passado, ignorando o presente. A vida contínua, cada um seguiu o seu caminho. Talvez um dia te volte a encontrar, perdido por ai (ou talvez não). Quem sabe se não és tu que me encontras um dia, perdida por aí.
Gostava muito de recuperar o meu amigo, mas não sei até que ponto isso será possível, até que ponto tu quererás recuperar, não esta, mas aquela amizade que se perdeu no nosso passado.

Adoro-te miúdo.

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