segunda-feira, junho 14

O que se perdeu.

Onde está o amor que sentia por ti? A paixão ardente? A loucura no momento? O desejo incontornável?
Ai amor, como eu já te amei.. O que eu já chorei.. Mas e agora? Onde ficaram todas as emoções? Todas as sensações? Às vezes, tenho medo de ter perdido meio amor pelo caminho, com as tristezas, com os problemas, com as mentiras e confusões... Não quero acreditar que parte se perdeu, e que está agora mais pobre, menos sentido, menos desejado, menos vivo. Não quero viver o meu caminho assim, pela metade.. Não quero estar ao lado de alguém que não me permita viver em plenitude..

Acho que com tudo o que me tem acontecido me tenho tornado mais fria, mais reservada, mais fechada em mim.. Vivo tudo cá dentro, penso e sonho em segredo, idealizo uma vida que (ainda) não é a minha e que não sei se algum dia vai ser. Penso, tento acreditar, tento desejar, tento amar... Lá no fundo, eu sei que és tu que eu amo e é contigo que estou agora, mas ( não ) sei se é contigo que eu quero ficar, se é contigo que quero viver todos estes sonhos.
Porque ao teu lado os meus sonhos têm limites, a minha vida pára, o meu sorriso esmorece. A minha alegria de viver é condicionada, e a vida, incontornávelmente, torna-se sempre mais dificil.
Não me leves a mal por tudo isto. Não fiques triste, não me entendas mal. Não sabes o quanto me custa pensar e dizer isto (por isso ainda não o digo, escrevo). Esta, não está a ser vida que escolhi para mim.
Às tantas, o destino trocou-me as voltas e segui o teu caminho. O caminho do amor, da estabilidade, da segurança, do tempo, do hábito, da rotina, da demasiada segurança. Mas o amor não é isto, não pode ser isto. E eu quero mais, muito mais. Quero lutar, correr e arriscar. Quero viver intensamente, amar intensamente, apaixonar-me por cada recanto da vida, saltar obstáculos e sentir que ganhei todas as batalhas. Quero aprender com os erros, crescer, melhorar, tornar-me naquilo que sonho diariamente, chegar lá, chegar mais longe. Sempre mais longe.
E tu? Tu limitas-te a sobreviver numa vida que não escolheste, que não gostas, que não queres, mas que continuas a tentar viver. Tu não cresces, não mudas, não te revoltas, não lutas, não desejas, mas limitas-te a sonhar. Sonhas com o amor, uma casa e uma profissão. Mas no fundo, tu não sabes ainda muito bem como chegar lá, e escolhes sempre o caminho errado para atingir a meta. A vida não é um estalar de dedos, não é um pim pam pum, nem uma rifa. A vida somos nós que a fazemos e eu quero construir a minha!

Tenho medo. Tenho receio de chegar o dia em que olho para trás e já não me reconheço, em que vou pensar o que andei eu a fazer com estes anos da minha vida, em que me vou perguntar se valeu a pena... Tenho medo que esse dia chegue e que eu não tenha mais uma estrela-guia que me leve ao teu destino. E aí siga rumo a um novo caminho, e procure uma saída. Tenho medo de olhar para os três, quase quatro, anos que nos unem e não perceba porquê. Porquê tanto tempo. Porque é que permiti tanto, perdoei tanto, esqueci tanto.. Tenho medo de esquecer todas as alegrias, sorrisos, gargalhadas, momentos únicos, a felicidade, o amor intenso. Porque a nossa memória é muito selectiva, e quando o click se dá, já muito se perdeu.. Eu não quero perder as nossas memórias, os nossos momentos, aquilo que é teu em mim. Todos os lias luto para pensar em cada momento, mas infelizmente, as memórias vão-se perdendo aos poucos.. Não sei se elas se perdem com o amor, ou com a tristeza.. Não sei se vão com as amarguras da vida ou com os momentos de tristeza.. Só sei que muito se perdeu, e eu não sei como o recuperar.

Às vezes, sinto que preciso de viver tudo de novo, tudo outra vez, tudo de outra forma. Sinto que preciso de voltar a apaixonar-me, de ter borboletas na barriga, de ficar com as pernas a tremer. Preciso da incerteza, do novo, do gostinho inicial, da descoberta do outro, da dúvida da paixão..
Às vezes, sinto que estou bem assim. Que assim é tudo mais fácil. Já te conheço como as palmas da minha mão. Já sei do que és capaz, já sei até onde posso ir, já sei quando estás bem ou mal, já sei o que é certo e errado, o que te faz feliz ou te mete triste. Já sei a tua vida quase de cor. E assim é tudo mais fácil. Delineado, certo, conhecido, feito. Não tenho mais nada para procurar, a conquistar, a descobrir, a desvendar, a exigir, a pedir, a desejar.. Ou será que tenho? (Eu quero acreditar que tenho.)
Como sobrevive uma relação quando já tudo está a descoberto? Quando tudo segue sempre os mesmos passos, mesmo quando uma das partes (ou as duas) não  querem? Quando as discussões têm sempre o mesmo motivo, e os erros são sempre os mesmos? Quando tudo o que nos guia é o desejo e a atracção física? Quando te vejo como algo que tenho de proteger e ajudar a crescer, que tenho de cuidar e ensinar, quando gostava que fosse exactamente o contrário?... Não sei, não sei, não sei.

Preciso tanto de uma resposta às minhas perguntas.. Preciso tanto de sentir que caminho tomar... Ainda não consigo partir sozinha nesta aventura, mas por vezes, sinto que vivo sozinha esta relação. E falta-me a força, falta-me a coragem, faltam-me os sonhos (ao teu lado), falta-me a paixão e a alegria, para ir mais longe. Eu quero lutar por ti, por nós, mesmo quando sinto que não lutas por mim. Porque lá no fundo, tu tens-me como um bem adquirido, mesmo que por vezes sintas que to querem roubar, sintas que ele pode cair e partir-se para sempre, tu nunca perdes a esperança que ele vai estar sempre ali onde o deixaste. Até um dia.

1 comentário:

Anónimo disse...

Incrivel...
Quando li este texto era a minha vida que estava ali. Passei por isso tudo, mas estou um passo á frente já tomei a decisão de seguir só, de lutar pelo meu sorriso, pelo meu sonho...
Tantas noites a dizer para mim mesma que nada daquela vida era o que eu queria, que queria sorrir, ser feliz, mas que me sentia miseralmente infeliz, o que fazer, como enfrentar este fracasso. Até ao dia em falei alto e disse que nada daquilo era o que queria, incredulo ele não aceitou, não comprrende porque porque ele me ama, e eu, eu onde estou, eu não amo, afastei-me, acho que ainda hoje não aceita e chega a pensar que tenho outra pessoa, não tenho, estou só, quero estar só, preciso me reencontrar, preciso ser feliz comigo preciso voltar a ser eu.
Eu fechei-me, errei, devia ter falado, mas disse tantas vezes os erros eram os mesmos nada mudava.
Conversem e nunca te esqueças que para fazermos alguem feliz, temos de estar muito bem nós.