sábado, fevereiro 27

dreams, do you believe?

"O que mais dói quando se ama alguém é imaginar tudo o que não conseguimos realizar juntos. O que vivemos é um tesouro que nunca se apaga da memória, mas é o que não construímos que nos entristece e mata. Como vives ensombrado de dúvidas e tens muito jeito para inventar desculpas inteligentes, costumas dizer que não nos conhecemos no momento certo e que tudo seria diferente se nos tivéssemos cruzado mais cedo. Mas ambos sabemos que não é assim. Ambos sabemos que o medo e a vontade há muito que lutam para governar o mundo e o coração dos homens, numa batalha surda onde só há vencidos. Ambos sabemos que tens medo de mim e medo de ser feliz. E ambos sabemos que à tua maneira me sabes amar, apesar de todas as desculpas inteligentes, de todos os medos, de todas as dúvidas.
Não tens saudades de ser livre e seguir o teu coração? Não sentes a falta dos verões infindáveis, de viver junto ao mar num país protegido de guerras, atentados e calamidades, onde o sol brilha quase todo o ano e o Verão chega ao mesmo tempo que a Primavera?

Eu tenho saudades de tudo o que não vivi contigo. Das viagens em busca de um lugar perfeito parecido com o nosso planeta, de fins de semana em Paris e passear pelos museus, de ir a Milão fazer compras, de apanhar sol no Central Park durante o indian summer. Tenho saudades de construir contigo um hotel à beira mar. Tenho saudades dos almoços com a família e os amigos, dos passeios de barco, dos mergulhos na piscina e das gargalhadas das crianças. Tenho saudades de uma menina loira de olhos claros que podia ter um quarto igual ao das outras meninas, muito bonita e tranquila, com sangue de dois escritores a correr-lhe nas veias e os braços sempre estendidos para nos abraçar. Talvez um dia ela venha ao nosso encontro, enviada por uma qualquer entidade divina e nos ensine a perder o medo e a seguir a vontade de fundar um novo planeta onde as bonecas nunca se estragam e os sonhos nunca se perdem."  (Margarida Rebelo Pinto)
 
 
Tenho saudades de quando tudo se resumia a ti, quando tu eras a minha prioridade, a minha vida, porque simplesmente me completavas, sem deixares espaço a mais nada, e eu gostava.. Mas a liberdade, a liberdade chama por mim, em cada passo...

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